OPINIOES
 

ELES DISSERAM

João, em Fortaleza, durante o
I Encontro do Portal CEN - 2004
Foto: L P Baçan

"Prezado João Justiniano,
                      meu abraço.

    Li de uma assentada o seu assombroso "Cacimba Seca". Você captou com patético realismo toda a tragédia do nosso irmão catingueiro. Especialmente o final, foi de uma beleza trágica.

    O poeta guiou a mão do romancista, na construção dessa obra de amor e sofrimento. Humildemente, confesso: "Cacimba Seca" é um romance que eu gostaria de ter escrito; melhor: que eu daria tudo para poder escreve-lo.

Você me sacudiu nas bases!

                                                                                 Wilson Lins

    Salvador, 25\07\85


 Rio, 30.XI.1985

 Sr. J.J. Fonseca

   Li com sincera emoção o seu romance Cacimba Seca que o Sr. teve a gentileza de me enviar.

   Estou convencido de que ele será considerado daqui por diante como uma das fontes altas do grande tema do sertão.

   Admirador verdadeiro

Américo Jacobina Lacombe.
Rio de janeiro, 18 de março de 1986.


Prezado confrade,
João Justiniano da Fonseca:

    Recebi o livro "Cacimba Seca", que me enviou por intermédio do Sabadoyle. Por coincidência estavam ali Américo Jacobina Lacombe, que teceu largos elogios ao livro, e seu amigo Luiz Viana Filho, que lhe louvou a inteligência e a dedicação as letras. Tão logo me seja possível, dentro do meu estado de saúde atual retomar a leitura de livros, o seu será o primeiro.

     Cordial abraço

                           Joaquim Inojosa.


São Paulo, 23 de agosto de 1985

Prezado senhor Fonseca:

     Quero parabenizá-lo pelo seu último lançamento: "Cacimba Seca". Tomei conhecimento do mesmo através de um amigo comum - José do Patrocínio - e foi uma emoção rara. Há muito tempo não lia algo sobre o sertão, escrito com tanta maestria. Ninguém melhor que o senhor sabe como o sertanejo é sentimental, daí porque sua mensagem nos calou muito forte.

     No seu romance há sem dúvida uma mistura de ficção e realidade, porque Rafael personagem principal - tem um pouco de cada um de nós nordestinos que migramos para São Paulo. Está certo que bem poucos amaram tão loucamente quanto Rafael, mas também pudera, os poetas são tão raros! Importa que a trama está muito bem construída, não é exagero dizer que o romancista em momento algum conseguiu desvincular-se do poeta, o que é melhor. Sua obra, rica de sentimento e imaginação criadora, é também de um conteúdo sociológico profundo".

                           Ivanildo Dave e Silva.


     João Justiniano da Fonseca. Um homem e um nome com méritos para estar na Academia Brasileira de Letras.

     Por sua enorme e importante bagagem literária, merece João Justiniano da Fonseca, baiano e brasileiro (que morre de amores pela Bahia e vive de paixão com o Rio Grande do Sul), inscrever seu nome e obra na academia Brasileira de Letras. E na mesma ingressar com honra e mérito.

Nelson Facnelli, Presidente Nacional da
Casa do Poeta Brasileiro - POA.
(Contracapa de Cantigas de Fuga ao Tédio)


 ... Falemos do escritor em sua tríplice imensão.

     A de poeta com quatro títulos, o de estréia, Safiras e Outros Poemas, 1960; Sonhos de João, 1974; Brados do Sertão, de natureza social; e Sonetos de Amor e Passatempo, de 1992. Nessa trajetória lírica, vibram a afetividade e o imaginário de um sertanejo romântico.

     Seus poemas cursam distintos estuários, ele que é sonetista exímio, e o dos poemas soltos, em que se identifica com as modernas correntes. Em todos é fluente, espontâneo e um artista do verso.
     Mostre-se agora a fisionomia do ficcionista. Com seu tríptico vigoroso, onde os seres rústicos e laboriosos enfrentam os duros desafios sociais: Cacimba Seca, de 1985; Terra Inundada, de 1986; Grilagem de 1991. Em sua trilogia da Terra, que considero o ponto alto do seu fazer literário, emerge a vida nordestina as voltas com a seca, com a expulsão de suas glebas pelas barragens hidratadoras, e, no último livro, com a operação dos esbulhadores rurais.
     Endosso, sem restrição, a respeito desses romances da gleba interiorana da Bahia, a avaliação de Wilson Lins:

     "João Justiniano da Fonseca é um regionalista que não perde de vista o universal. Seus dramas sertanejos tem muito da tragédia grega".

     O pesquisador arguto se revela historiador de mão cheia, em sua monografia Rodelas, acerca da situação de conflito, vivida por sua terra natal. Enfoca-a sob uma visão abrangente, segmentando a ação de curraleiros, índios e missionários dentro das perspectivas rurais, sem ignorar o desdobramento da área urbana. O volume é denso de informações, a fluírem em camadas superpostas, num jorro claro. O estilo reverbera uma luminosidade de sol a pino. A vibração aventureira dos povoadores imprime irresistível atração ao fluxo narrativo.

Hugo Ramirez,
em discurso de saudação na Academia Riograndense de Letras (reimpresso nas orelhas do livro Sertão, Luz e Luzerna - 2000).


Para o eminente intelectual João Justiniano da Fonseca.

Prezado poeta João:


minha eterna gratidão
por sua oferta oportuna.
Para min`alma dolente
seu livro, sinceramente,
representa uma fortuna.

Quem sonha, na nossa idade,
alerta a velha saudade
num coração torturado,
onde ela vive em surdina
oculta pela cortina
que envolve o nosso passado.

Sua poesia dolente
penetra a alma da gente
tal qual luz da madrugada
que desperta os passarinhos,
e iluminando os caminhos
enxuga a rosa orvalhada.

Sonhos com visões antigas,
que nos recordam cantigas,
romances da mocidade,
cartas de amor e segredo
que nós guardamos com medo
na gaveta da saudade. 

Gostei das suas mensagens,
onde há cirandas de imagens,
lembranças que vem e vão.
Sonhos de visionário
no exuberante cenário
da rica imaginação.

Sonhos de amor e ciúmes,
centelhas de vaga-lumes
bailando sobre a garoa
onde a saudade flutua
de noite, ao ronda na rua.

Do teu  SEVENINO UCHÔA.


AO CONFRADE 
JOAO JUSTINIANO DA FONSECA

Valdevino Neves Paiva.

Agradeço-te, João,
Com abraço fraternal,
De todo meu coração
Os teus versos de Natal.

Quem trabalha com afinco
Deve guardar a esperança
De um feliz noventa e cinco
Cheio de amor e bonança.

Nunca a bela inspiração
Escapa do teu alcance,
Quer no verso, no refrão
Ou no talhar do romance.

Do Olimpo em pleno esplendor,
Ouvindo o canto das musas,
outros SONETOS DE AMOR
E PASSATEMPO produzas.

Sertão. Sol. Calor. Queimada.
CACIMA SECA... coragem...
Mas, se a cerca é derrubada,
Coronelismo... GRILAGEM. 

No desenvolver dos temas
Vem, na farta inspiração,
SAFIRAS E OUTROS POEMAS
E os lindos SONHOS DE JOAO.

Mesmo que o amor não cative,
Articular não convém
Se AQUELE HOMEM ainda vive
Na imaginação de alguém.

O sertanejo desperta

Chorando a sorte magoada:
De um lado - CACIMBA SECA
E do outro TERRA INUNDADA.

Ribomba altivo o trovão
Chove no vale ou na serra,
Entre os BRADOS DO SERTAO
O grão germina na terra!

Que Jesus de Nazaré
Ilumine-te o destino,
É o que deseja, com fé,
Teu confrade VALDEVINO.


SIMPLES JOÃO -  acróstico.

João é um nome simples como
O orvalho de uma manha de primavera
Aonde meu sonho canta e eu amo
Onde m´alma banha-se de quimera.

João é esse homem simples, afirmo,
Um novo amigo que me apareceu.
Sua sensibilidade é pura, confirmo.
Tanta ternura nessa amizade nasceu.
Inda novo, esse sentimento se faz leve,
Na poesia nossas almas são irmãs.
Ignoramos a maldade, pois o mal é entrave.
Andamos em alamedas floridas, cuja beleza é  louça.
Nas letras encontramos a matéria-prima
Ora com firme agudeza, ora com suave alegria,

Dando forma e sutileza a nossa rima
Assim nesse pano de fundo tecemos a nossa fantasia.

Fonseca, amigo, João Justiniano,
Observa: cativas meu humilde coração.
Neste, e por muitos e muitos anos,
Sinto que seremos amigos... meu irmão!
Estando mesmo longe aprendi a te querer bem.
Com respeito, dignidade e admiração, e,
Amizade, carinho somo a esses sentimentos, também.

                                 Ivanise Mantovani


UM POETA SINCERO
                Castelar Sampaio

(Transcrito de "A Tarde" de 15.02.64.

    O advento de mais um livro de versos na Bahia, é, sempre recebido com atenção no nosso meio literário. Apesar de numerosa e contínua a presença dos poetas em nossa terra, um interesse acurado propicia ao autor novo e a nova obra, simpatias que, as vezes, tocam as raias do aplauso, se não provocam verdadeiro alvoroço, entre os afeiçoados, para o estudo e discussão dos poemas que surgem e - tirados ao ineditismo - impõem a imediata apreciação e crítica dos iniciados.

     E este fenômeno se repete, hoje, a apresentação da poesia vibrante de João Justiniano da Fonseca, cujos "Brados do Sertão" enchem agora, as bancas das livrarias.

     Filho do cálido nordeste baiano, vivendo e sentindo a fundo o drama, tantas vezes pintado e interpretado da sua terra e de sua gente, diz a sua emoção numa linguagem simples, vincando de tons fortes os painéis, onde as esboça, e os sentimentos que elas lhe inspiram.

     Desde o dia em que o conheci, na hora em que conseguia parte mínima da edição e me oferecia um dos primeiros exemplares fiz-lhe a psicologia.

     Como um enamorado era todo o seu anseio correr, rápido, no dia seguinte, a sua terra e mostrar aos seus conterrâneos os ritmos de sua ternura pela gleba natal.

     Tinha cantado com tanta alma as veredas de seu sertão inóspito, suas secas e o instantâneo da ressurreição do verde nas chuvas de trovoada, tinha pedido, com tanto empenho "aos homens de governo" lhes dessem "terra molhada" - que não queria reler, a sós, agora já impressos, seus versos tão vivos. Voltaria ao morno ambiente do berço para dar as primícias de sua arte aos familiares e aos íntimos.

     Tão logo, abri o livro, desde a dedicatória verifiquei que, de par com a clareza na sua produção, o seu traço mais vivo era o afeto.

     Assim, para dizer, com espírito coisas do coração sobre os ângulos risonhos e doridos de seu ninho, não empunha a pena, como um vate ensimesmado, no recesso do gabinete, torcendo conceitos ou forçando rimários, mas se faz de companhia com uma Musa ingênua, "Flora, a mais bela flor do vilarejo inteiro" a evocar "os irmãos que lá estão desterrados" "no sul do país a procura do pão", seus companheiros "retirantes", cuja saudade na quadra das chuvas, chora, bradando com eles, nesse anseio de retorno:

"Quero rever
as serras
de minha terra
na doce quadra das chuvas...
Quero voltar!"

     Ganha a sua lírica módulos imprevistos na voz  da Serrana, que  "o moreno arroxeado, a cor do meu sertão, leva no rosto oval, macio e bem cuidado",

     A sua fada contempla a lua branca, "olham-se face a face e vendo-a ser mais bela, a lua esconde-se entre as nuvens enciumada".

     Gira o Cosmorama da saudade. Tornam os quadros da "Chuva", da "Fazenda Pedra Azul em plena trovoada", de Flora - a serrana, dentro da Fazenda e fora do arraial. E a "luta dos Titans", dois touros chocando as guampas, tão cheia  de movimento e colorido.

     A gente se contagia da angústia da "Seca" e das torturas da "Retirada", quando "moroso roda o trem, eterno vagabundo" e toda  paisagem se despede, a multidão passando, enquanto Flora

"tenta sorrir em vão
pensar em seu futuro,
enxerga tão somente a vastidão do    
escuro".

     Envolve-a um gosto amargo, imenso de desgraça..."

     E a nós nos envolvem de dor esses desmaios. Sentimo-nos irmãos do poeta, irmãos de Flora, para recitar com eles a "Prece", cheia de unção, o reclamo contra a "Orgia", o clamor da "Liberdade" e os "Brados do Sertão" com a contenção dos que dizem da dor, sem os tresvarios dos anátemas, sem a loucura das demagogias - na múrmura toada dos soluços.


... "Poeta com três livros publicados (Safiras e Outros Poemas, em 1960; Brados do Sertão, em 1963; Sonhos de João, em 1974), João Justiniano da Fonseca já tinha Cacimba Seca pronto (assim como Terra Inundada, outro romance de uma trilogia sobre aquela região do Rio São Francisco), quando se lançou como contista premiado no Concurso Permanente de Contos do Jornal da Bahia. Participou, em seguida, de coletâneas de contos e teve atuação destacada na fundação e como presidente do Clube da Ficção.

     Com uma bela capa de Menandro Ramos, Cacimba Seca sofre pela falta de uma editora, na Bahia, que, arcando com os custos de produção, de ao texto apresentação gráfica que encontramos nas obras editadas no eixo Rio - São Paulo. Mas isso não deve ser obstáculo, para que esse romance seja bem recebido pelo leitor. também não deve ser fator de desestímulo, o tema já muito explorado por escritores brasileiros, da questão social e regional do sertão. Ao contrário. João Justiniano da Fonseca, filho de Rodelas - onde chegou a ser prefeito - traz novas cenas e mostra que ainda há muito a tirar dessa fonte inesgotável de estórias. Ele próprio promete mais dois romances - Terra Inundada e Grilagem - para completar a trilogia agora iniciada".

Adinoel Motta Maia, na coluna Livros,
do Jornal da Bahia.   


     "Foi lançado em Salvador o livro "Cacimba Seca", do poeta João Justiniano da Fonseca, leitor e amigo de "Letras Sergipanas".....

     O Capitulo n° 51 descrevendo uma vaquejada de demonstração no terreiro da Fazenda, transmite as emoções dos circunstantes e, pela vivacidade e realismo da cena, torna-se antológica.

     Enquanto alguns livros de autores já famosos, restringem a ação a um ângulo do Nordeste e a determinada cultura local, "Cacimba Seca" engloba toda a luta do sertanejo desde a cultura de subsistência a criação do gado, suas lutas na gleba e seus desencantos na cidade grande, as armadilhas que a vida apresenta e o espírito de solidariedade e compreensão dos
personagens".

Letras Sergipanas, Órgão da Academia Sergipana de Letras, julho\agosto de 1985.


Acróstico para João

840 - JOÃO JUSTINIANO DA FONSECA RECANTISTA

Acróstico-biográfico
Por Sílvia Araújo Motta

J-João Justiniano, Escritor Profissional,
O-Onde reside feliz em Salvador-Bahia,
Ã-Aos oitenta e seis, brinda em tempo especial,
O-Oferece belos textos ao Recanto da Poesia.
 -
J-Justo Mérito ao Autor por 5000 leitores.
U-Um Recantista das Letras e da Alegria.
S-Sonetista Clássico de 135 louvores.
T-Tem treze E-livros. Com sabedoria
I-Investe na "Lei Acadêmica" dos autores.
N-Na pura e bela essência da inteligência,
I-Integra o Portal-Cem, na Grande Rede;
A-A poesia é seu legado à humanidade,
N-Na "gaiola de ouro", os versos defende,
O-O amor à palavra, para a posteridade.
 -
D-Da Casa do Poeta Brasileiro/Salvador,
A-A Presidência e Coordenação Deliberativa

F-Faz integração com 57 Sedes Municipais
O-Organizadas em 13 Estados da Federação.
N-Na predileção  sonetos clássicos especiais,
S-Sua obra tem quinze livros com publicação,
E-É um portal educativo-cultural à vida futura,
C-Com romances, contos, crônicas, haicais,
A-A inspiração da musa D. Alice, na emoção.


Acróstico para JOÃO JUSTINIANO DA FONSECA
Lúcia Barcelos

     Com grande carinho e amizade. Muito obrigada pela maravilhosa poesia. Sei que os meus versos são muito simples ante a grandeza dos teus, mas são eles, o meu jeito de agradecer ao mimo que me fizeste!


Janela aberta para o acordar da vida,
O teu olhar acena, qual lenço delicado,
Ainda estás comigo, apesar da despedida
O nosso sentimento nunca é passado!

Janela aberta para o acordar da vida,
Um anjo locomove-se com a brisa leve,
Sabe que entre amigos não há despedida
Talvez tão somente um "até breve".
Improcedência, quem sabe, do meu coração,
Ninar saudades, cantar nostalgias,
Inútil como um novelo que se vai ao chão
A desenrolar ausências e melancolias!
Não vou mais procurar rimas fugitivas
Ou os versos que para longe vão,

Darei a ti palavras instintivas
Aquelas que saltitam do meu coração!

Filosofias nem sempre nos consolam,
Os ventos levam fatos e notícias,
Nas canções que os músicos cantarolam
Se ocultam lágrimas, mimos e carícias.
E eu canto pra ti, João, querido
Com claves de lua e veludosa partitura
A canção que te diz: jamais és esquecido, vives na pauta da minha ternura!


APRESENTAÇÃO

     Quando o meu amigo João Justiniano da Fonseca me convidou a escrever o texto da abertura deste livro, senti-me honrado com a lembrança de meu nome.  Amigo fraterno de Luiz Viana Filho, alcancei o relevo da homenagem que me era prestada, sabendo que ela exprimia o reconhecimento do autor deste livro que singelamente me distinguia.
     Luiz Viaana Filho merecia o relevo com que foi destacado. Quem leu sua obra literária, para inteirar-se de seu texto literário e de suas conclusões, há de ter associado a essa leitura a admiração de sua obra de arte realmente esmerada na pena de João Justiniano da Fonseca, igualmente conclusiva.
     Vale a pena acentuar que admiração é uma forma de concordância natural, imposta pela identidade do gosto harmonioso. O louvor de João Justiniano da Fonseca vale como uma identidade objetiva.
     Convém reconhecer que o elogio é como se fosse uma comunhão de concordância plena. O louvor, neste caso, é uma forma de identidade. Daí reconhecermos que na louvação de João Justiniano da Fonseca está implícita a concordância entre o amigo e o mestre.
     Basta reconhecer no aplauso irrestrito a comunhão evidente na concordância do mestre com o companheiro, o que vem a ser uma força de identidade, o que explica a emoção com que repassei o texto de Luiz Viana Filho e o texto de João Justiniano da Fonseca, reconhecendo na identidade evidente a concordância plena.
     O autor primoroso da Vida de Luiz Viana Filho é o mestre da concordância objetiva, sem que a identidade excluísse a comunhão plena no plano da harmonia fraterna. Cada qual a ser ele próprio neste evocação exemplar.

Josué Montello


O MÁGICO DAS PALAVRAS
                         Jussamara Brito
(Prefácio de LEVEZA DO SONETO)

     Dentre os artistas líricos, há os que me emocionam mais. Aqueles que retiram poesia da sua terra, do amor à moça, do sertão e do rio, da simplicidade. Assim, para mim, é a obra do meu amigo João Justiniano.
     Que onda de prazer  me invadiu por ser  a amiga escolhida para apresentar A leveza do sertão. Nestes sonetos, o João mais uma vez encontrou uma forma
     linda para cantar o amor à vida e à  sua meninice. Essa história de 87, nada disso. Temos aqui o menino João encantado com a descoberta dos seus belos versos.
     Considero estes poetas como o João, verdadeiros aventureiros da linguagem, vão pelos cadernos  descobrindo e experimentando  as palavras  e, de repente, do fundo do coração sai aquele  fiozinho de sentimento ocupando as linhas e mostrando às palavras  o seu melhor lugar para aquele tempo.
     Deixando-as muito tranqüilas porque eles já mostraram que todas as palavras tornam-se mágicas e  poderosas quando encontram um poeta de verdade. Podem
mudar de versos, de gênero literário e podem até mudar o mundo das pessoas.
     Sou sua amiga e posso explicar: Agora foram os sonetos porque ele está feliz, queria escrever e cantar ao mesmo tempo. Portanto, para festejar, como poeta verdadeiro que é, escolheu  os sonetos. Mantendo-se , como ele mesmo diz leve, suave, com o maior carinho!


João,

     Estou lendo seu livro de contos, "Sertão, Luz e Luzerna", e estou considerando um dos melhores que já li em minha vida. Parabéns! Normalmente avalio um livro pelo primeiro parágrafo e o seu prendeu a minha atenção já na primeira linha. O conto de abertura, "A Revolta dos Cães", é um primor de habilidade e de técnica, além do conteúdo brilhante. O parágrafo inicial, sobre a descrição da eterna luta Deus x Diabo, é para figurar em qualquer antologia mundial. No segundo conto, "O Sandeu", você anuncia a tragédia com uma habilidade incrível, mas apenas nas últimas palavras, "A COBRA FUMANDO", é que você dá toda a dimensão e o valor ao obscuro, aparentemente, personagem. Como já imagino que os demais contos sejam da mesma qualidade, afirmo, sinceramente, que este é um livro excepcional em todos os sentidos: técnica narrativa, domínio da língua, visão, interpretação e descrição do cenário, sobriedade e muitas outras qualidades restritas apenas aos grandes escritores.  

Um abraço
Baçan


     João amigo! O soneto é uma pequena preciosidade da Literatura! Um segredo a ser desvendado diariamente, a ser lapidado com mãos de ourives. Ele não morrerá se depender de meu esforço, ainda tenho fôlego para cultivá-lo e amá-lo nos meus dias... Tenho, por sorte, conhecido aqui no Recanto das Letras, pessoas que como eu valorizam-no na sua essência clássica. Eu aprendo com as leituras que faço dos teus sonetos e dos inúmeros autores clássicos que compro seus livros em sebos daqui de São Paulo. Sou apaixonado por escritores de sonetos como: Luis de Camões, Florbela Espanca, Bocage, Moacir de Almeida, José Albano, Gilka Machado, Mario Pederneiras, Ribeiro Couto, Raimundo Corrêa, Olavo Bilac, José Oiticica, Francisca Júlia, Gustavo Teixeira, B. Lopes, Da Costa e Silva, Raul de Leoni, Ruy Espinheira Filho, Álvares de Azevedo, Cruz e Sousa, Colombina, Jorge de Lima, Emiliano Pernetta, Maria Lúcia Alvim, Abgard Renault, Manuel Bandeira, Luiz Delfino, etc. Todos sonetistas brilhantes. Fico horas do meu tempo livre lendo as  poesias completas (quase todos estes tenho a obra completa), para mim, a mais deliciosa diversão. E não deixarei que desapareça dos meus escritos a presença do Soneto.
     Obrigado poeta pelo carinho de sempre e por comentar meus textos, de um escritor em formação, que está aprendendo o ofício e que gosta de ser cuidadoso e dedicado ao bem fazer poético. Tenha uma ótima semana João, um forte abraço.

Alexandre Tambelli


DISCURSO DE RECEPÇÃO, NA ACADEMIA RIO-GRANDENSE DE LETRAS,
A 15 de 05.97.
Hugo Ramirez
1° Vice-Presidente
Cadeira 35

     Com esta cerimônia, inaugura a quase centenária ACADEMIA RIO-GRANDENSE DE LETRAS, fundada que foi pelo médico e escritor de renome nacional, Dr. OLINTO DE OLIVEIRA, a 1° de dezembro de 1901, uma nova modalidade de abrasileiramento, a de solenizar o ingresso dos acadêmicos de outras unidades da federação, recebidos na categoria de Sócios Correspondentes.
     Demonstra, deste modo, o quanto valoriza essa categoria, convocando seus titulares a vir prestar serviços à cultura, de natureza fraternizadora, entre patriotas de distintas áreas da República.
     A cada recepção do gênero, ilustres brasileiros naturais de outros rincões além das fronteiras gaúchas estarão dialogando conosco, de igual para igual. Eles a contar dos encantos/primícias de sua paisagem natal e a nos dizer dos vultos marcantes de sua gleba; nós, a marcar nossos feitos, nossas buscas e aspirações, nossos heróis e paradigmas das letras, das artes e da ciência.
     Ao final de cada reunião, todos sairemos mais brasileiros, mais conhecedores da nossa terra e da nossa gente, à luz de depoimentos pessoais fidedignos e reveladores.

*

     A quem recebe, hoje, a ACADEMIA RIO-GFANDESNSE DE LETRAS?
     JOÃO JUSTINIANO DA FONSECA é um baiano ilustre, por muitos títulos. Provecto sabedor e cidadão prestante, ostenta primorosa bagagem nos serviço público e na república das letras.
     Na esfera federal, desempenhou, mediante concurso público, os cargos de Auxiliar e Escrivão de Coletoria Federal; e Agente Fiscal do Imposto de Consumo. Comissionado, foi Inspetor de Coletorias Federais, Fiscal do Selo na Operações bancárias e Inspetor Fiscal de Rendas Federais.
     Na área municipal, foi Diretor Administrativo Financeiro da COHAB, de Salvador.
Na órbita estadual, exerceu as funções de Assessor Técnico de Planejamento e Conselheiro do Tribunal de Contas.
     Sua trajetória política desdobrou-se através de dois mandatos eletivos, o de Vereador e de Prefeito de seu município natal, Rodelas, vocábulo oriundo de uma tribo de índios, os /Arodera da nação Procá do interior baiano.
     Falemos agora do escritor em sua tríplice dimensão:
     A do poeta, com quatro títulos, o de estréia, SAFIRAS E OUTROS POEMAS, 1960;   SONHOS DE JOÃO, de 1974; BRADOS DO SERTÃO de natureza social; e SONETOS DE AMOR E PASSATEMPO, de 1992. Nessa tragetória lírica, vibram a afetividade e o imaginário de um sertanejo romântico.
     Seus poemas cursam distintos estuários, o dos 14 versos hugonianos, ele que é sonetista exímio, e o dos poemas soltos, em que se identifica com as modernas correntes. Em todos é fluente, espontâneo e um artista do verso. Em soneto com que, singularmente, abre o vestíbulo da prosa plástica de TERRA INUNDADA, o espírito solidarista do autor focaliza um drama sertanejo, ocorrente, também, no Rio Grande do sul e em todo o planeta. Avalie-se a sensibilidade e a técnica do poema em

A BARRAGEM

"Tantos anos à margem deste rio
arfei de sol a sol, desesperado!
Plantei... Colhi... O solo, bem cuidado,
jamais de fruto que alcançasse o estio...

Como o guerreiro que não perde o brio,
ou como o arauto que apregoa o fado,
meu pai nasceu, morreu no seu roçado,
andei os passos que meu pai seguiu.

Vem a agora a barragem, tudo inunda,
e eu perco tudo - o chão, a casa oriunda
da herança honrada que deixou meu pai.

E vou... E vou... Aonde irei, meu Deus,
sepultar o meu fim, os dias meus,
e a dor enorme que o  meu peito esvai!

     Mostre-se agora a fisionomia do ficcionista. Com seu trípitico vigoroso. onde os seres rústicos e laboriosos enfrentam os duros desafios sociais: CACIMBA SECA, de l985; TERRA INUNDADA, de 1986; GRILAHEM, de 1991.
     A Bahia é o berço de alguns romancistas de prestígio no mundo das letras, a principiar pelo internacional Jorge Amado, justamente consagrado pelo seu ciclo caucaueiro, CACAU (1933), TERRA DO SEM SEM FIM (1942) E Seara Vermelha (1946).
     Outra figura de destaque é XAVIER MARQUES (1861-1942), tido como o fundador do regionalismo baiano, com PINDORAMA (1900), O SARGENTO PEDRO (1910) e o FEITICEIRO (1922), entre outros tomos, a abordar  a sedução da paisagem agreste e motivações sociais, como o feiticismo africano, no último citado. Da mesma forma que Jorge Amado, pertenceu à ACADEMIA BRASIL;EIRA DE LETRAS.
     Também a integrar a CASA DE MACHADO DE ASSIS, merece ressalte o vulto do polígrafo AFRÂNIO PEIXOTO (1874-1947), com seus volumes de ficção  MARIA BONITA (1914), FRUTA DO MATO (1920), BUGRINHA (1922) e SINHAZINHA (1929).
     Embora tratando a área cacaueira sob outra ótica, ADONIAS FILHO (1915) produz um tríptico ficcionista que o celebriza e o guinda à ACADEMIA BRASILEIRA: OS SERVOS DA MORTE (1946), MEMÓRIAS DE LÁZARO (1952) e CORPO VIVO (1963).
     O romance O ALAMBIQUE (1934) é de autoria de CLOVES AMORIM (1912).
     Outro criador literário voltado para o interior baiano é HERBERT SALES. Dele são os romances CASCALHO (1944), MIRANTE D0S AFLITOS (1960) em que aborda aspectos do garimpo; ALÉM DOS MARIMBUS (1961), sobre os madeireiros; e DADOS BIOGRÁFICOS DO FINADO MARCOLINO (1965).
     João Justiniano da Fonseca tem, como se vê, antecessores ilustres no segmento novelístico, todos a explorar e valorizar o habitante da hinterlândia, cujos dramas de sobrevivência persistem e desafiam o talento e a coragem dos autores locais.
     Em sua trilogia da terra, que considero o ponto alto do seu fazer literário, emerge a vida nordestina às voltas com a seca, com a expulsão de suas glebas pelas barragens hidratadoras, e, no último livro, com a operação dos esbulhadores de posseiros e proprietários rurais.
     Endosso, sem restrições, a respeito desses romances da gleba interiorana da Bahia, a avaliação crítica de Wilson Lins:
     "João Justiniano da Fonseca é um regionalista que não perde de vista o universal. Seus dramas sertanejos têm muito da tragédia grega".
     A síntese é perfeirta. Poder-se-ia acrescentar ser o artesanato do autor muito afim ao de Graciliano Ramos, desde que ressaltasse a diversidade de estilo entre o alagoano e o baiano, neste predominando, tanto nas descrições como nos diálogos, uma maior elasticidade da fala, sob uma ótica de mais viva simpatia pelos seres em ação.
     O pesquisador arguto e infatigável se revela historiador de mão cheia, em sua monografia RODELAS, acerca da situação de conflito, vivida por sua terra natal. Enfoca-a sob uma visão abrangente, segmentando a ação de curraleiros, índios e missionários dentro das perspectivas rurais, mas sem ignorar o desdobramento da área urbana.
     O volume é denso de informações, a fluírem em camadas superpostas, num jorro claro. O estilo reverbera uma luminosidade de sol a pino. A vibração aventureira dos povoadores imprime irresistível atração ao fluxo narrativo.
     Composta em tom menor, a biografia resumida de LUIZ ROGÉRIO DE SOUZA retrata uma personalidade benemérita, de educador e líder social.

*

     Em breves e incisivas pinceladas, eis o perfil do acadêmico que, a partir de hoje, também se faz dos nossos, na Bahia de Eugênio Gomes, Pedro Calmon e Jorge Amado.
     Seu amor pelo Rio Grande do Sul, seu apreço pelo nosso povo, pela nossa gente e por nossas letras, que já é grande e vívido, crescerá, sob os influxos afetivos do convívio, elo vivo a vincular maiormente a Bahia de Castro Alves e o Rio Grande do Sul de Érico Veríssimo e Mário Quintana. De braços abertos, vos recebem vossos irmãos de ofício.
     Estas são as boas vindas da ACADEMIA RIO-GRANDENSE, escritor JOÃO JUSTINIANO DA FONSECA.


NELSON FACHINELLI
SAUDAÇÃO DE POSSE AO POETA JOÃO JUSTINIANO DA FONSECA
(Pose na Cadeira n° 1, cujo patrono é Castro Alves, na sucessão de Celeste Maria do Amaral Masera, da Academia de Artes Ciências e Letras Castro Alves, de Porto Alegre, Rio Grande do Sul)

                  I
João tem tantos hermanos,
Que nem os pode contar
E não dá nem para guardar
Os que vivem aqui ou acolá.
Os baianos são ufanos
Do seu escritor famoso,
De talento fabuloso,
Que brilha lá e por cá.

                  II
 Porto Alegre é que te acolhe
De braços abertos, feliz,
Aqui sempre bem se diz:
-  "A porteira está aberta"!
Entra João, com altivez,
Que te acolhe a gauchada.
Tu tens a alma ligada
Ao pago, que te liberta.

                  III
Castro Alves nos aproxima,
Desde o ano oitenta e dois,
Celeste nos ligou depois
Com o Grêmio Literário.
E a Primeira Caravana
Que a bela Bahia visitou,
Muitas vezes lá voltou
Cumprindo longo itinerário.

                  IV
E tu, João Justiniano,
Bom poeta e ex-prefeito,
Sempre acolhia direito
A gauchada Castroalveana.
Desde o pioneiro Ramirez,
Em março dava "mil salves"
Na semana Castro Alves,
Unindo a alma gaúcha e a baiana.

                  V
Nossa saudosa Celeste,
Lá do Céu nos abençoa
E feliz diz – "Gente Boa,
Castro Alves está comigo."
Meu coração se reveste
De emoção meu poeta João,
Pois a Poetisa do Coração
Te considerava um amigo.

                  VI
Teu amor pelo Rio Grande
É grande, barbaridade!
Se expressa quer na saudade,
Em idéias e consagração.
Onde quer que tua andes
Teu coração de baiano
Fica meio aragano
E volta sempre ao Rincão.

                  VII
Permita, meu caro João,
Homenagear minha cidade,
Que completou idade,
- Dela és "Filho de Honor",
Porto Alegre – minha vida,
O meu canto em teu louvor.
Que Deus te faça querida,
Cidade do Meu Amor!

                  VIII
Meu coro João Justiniano,
Do versos faço oração.
Falo de irmão pra  irmão,
Na tua sabedoria..
Que sigas na Poesia, ufano,
Cantando a Brasilidade,
Pra cantar não tem idade,
Tu és a própria poesia.

                  IX
Desde "Safira e outros Poemas",
Que o nosso poeta-escritor,
Quer tendo ou não editor
Faz as suas publicações.
"Sonetos de Amor e Passatempo"
no verso a sua maior obra.
No romance João se desdobra
Entre histórias e ficções.

                  X
Advirto, que o João – de Rodelas,
Pode ser até multado
Por ter do "Oitenta" passado
Na sua longa trajetória.
Com seu corpo de manequim
João Justiniano da Fonseca
Não segue, por certo, a lei seca,
Escrever é sua maior glória.

                  XI
Este orador operário
Está quase terminando
Sua glosa, segue rimando
Em versos desmetrificados.
Caro João, dileto afilhado,
Agora tu és um imortal,
Seguirás o teu fanal
Na Galeria dos glorificados!

                  XII
Vem desde Múcio Teixeira
A ligação gaúcha – baiana,
Castro Alves nos irmana
Sempre mais, a cada dia.
Mais um trio de primeira:
- João, Norlândio, Capelo,
São nomes deste novelo
Que une Rio Grande e Bahia!

                  XIII
Castralveanos dos dias atuais:
Moncks, Ivanise e Regina,
São gaúchos de nossa sina
E mais a Perpétua imortal.
São todos amigos fraternais
De Justiniano – o vanguardeiro
Da Casa do Poeta Brasileiro,
Que acolhe o nosso fanal.

                  XIV
"Te aproxima meu vivente!",
pois tens a alma gaúcha,
a gente grita: "a lá pucha",
vem tomar um chimarrão,
depois um "churrasco quente".
E, pra encerrar a "festejança"
A gauchada entra na dança
E diz: ‘PARABÉNS MANO JOÃO"

Jussamara Brito
Prefácio de Leveza do Soneto

O Mágico das Palavras

     Dentre os artistas líricos, há os que me emocionam mais. Aqueles que retiram poesia da sua terra, do amor à moça, do sertão e do rio, da simplicidade. Assim, para mim, é a obra do meu amigo João Justiniano.
     Que onda de prazer  me invadiu por ser  a amiga escolhida para apresentar o livro LEVEZA DO SONETO. Nestes sonetos, o João mais uma vez encontrou uma forma linda para cantar o amor à vida e à  sua meninice. Essa história de 87, nada disso. Temos aqui o menino João encantado com a descoberta dos seus belos versos.
     Considero estes poetas como o João, verdadeiros aventureiros da linguagem. Vão pelos cadernos  descobrindo e experimentando  as palavras  e, de repente, do fundo do coração sai aquele  fiozinho de sentimento ocupando as linhas e mostrando às palavras  o seu melhor lugar para aquele tempo. Deixando-as muito tranqüilas porque eles já mostraram que todas as palavras tornam-se mágicas e  poderosas quando encontram um poeta de verdade. Podem mudar de versos, de gênero literário e podem até mudar o mundo das pessoas. Sou sua amiga e posso explicar: Agora foram os sonetos porque ele está feliz, queria escrever e cantar ao mesmo tempo. Portanto, para festejar, como poeta verdadeiro que é, escolheu  os sonetos. Mantendo-se, como ele mesmo diz

leve, suave, com o maior carinho!


Lourivaldo Baçan

Em 19.10.08, às 01:44:08, Baçan disse :

João,
     em minha juventude, dediquei-me muito aos sonetos. Desde as rimas preciosas à chave de ouro, encantei-me com o desafio e, em meu julgamento, penso ter feito pelo menos dois ou três dignos de antologia, mas nada, realmente nada, comparados ao seu estilo, técnica, sutileza, genialidade e, algo que valorizo no soneto, a absoluta fluência capaz de quebrar uma frase, com uma rima consistente, mantendo a fluência do pensamento, sem tornar cada verso uma frase feita. Fluir de um verso a outro é uma das muitas características que admiro em seu estilo.
     Parabéns, meu amigo, e continue a nos dar lições de como tratar com carinho e valor nossa língua.
Um abraço
Baçan


Paulo Bentancur

Em 19.10.08, às 01:42:27, Paulo Bentancur disse:

Caríssimo João:

     aqui o blogueiro já começa atingindo um tipo de excelência: a de compartilhar o espaço de que dispõe com os que o lêem. A qualidade de tua literatura (pro meu gosto, sobretudo na ficção) é convidativa, imagine-se num blog, onde uma personalidade como a tua, que jamais comete o pecado do monólogo, dialoga e acena com o espaço para a nossa voz de leitores teus... Particularmente, chamou-me a atenção os dois tercetos finais do soneto HOSPITALIDADE. Se fosse invejoso, senti inveja. Como não sou, e vibro diante da beleza, aplaudi, em silêncio, o teu talento. E aqui escrevo esse aplauso misturado ao cumprimento de reconhecer que um blog assim é, mais que um diário virtual, toda uma literatura.

 

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