AMIGOS

 

Artur de Sales
MANHÃ

Largos listões de púrpura, sangrentos.
Tingem do espaço a mádida brancura,
Tremem, nuns brilhos lânguidos, na altura,
Da estrela d´Alva os raios sonolentos.
 
Da passarada os trêmulos acentos
Vibram través da múrmura espessura...
E dos rios, dos vales, da planura
Voam da bruma os turbilhões friorentos.
 
Desfaz-se no ar a matinal penumbra,
O espaço, claro e límpido, relumbra,
Sobe da terra a enorme sinfonia.
 
O mar transluz como um real tesouro,
E do sol as agudas flechas de ouro
Vibram, tinindo, no cristal do dia.