AMIGOS

 

EU E A NOITE
Marines Bonacina
POA, 27/01/04.

    
     É chegada a hora. . .
     De encontrar à noite.
     Vim recebê-la com uma poesia,
     pés descalços, na escuridão
     só eu, sentada no cordão da calçada,
     olhar fixo nas estrelas
     formando um véu de aquarelas.
     Noite escura. . . Só encontro a mim.
     Medo! Estou frente a frente, esqueci.
     Quero sonhar neste silêncio. . .
     Noite, se sentir frio cobrir-me com seu manto.
     E nem lembrar do perigo que você esconde.
     Canta o sereno da madrugada,
     que lentamente cai sob meu corpo.
     Nos laços do luar, bebo o licor da luz.
     Nas badaladas do sino dispertar. . .
     E ver o tempo correr,
     para novamente recomeçar.
     É chegada a hora de voltar. . .
     Vou levar tudo. . .
     Só eu e você.

ESTILHAÇOS

    
     De pedra, metal, madeira ou vidro,
     Lembranças, saudades e distância.
     Nestes momentos de maior tristeza,
     no imenso vazio cambiante
     ando com a alma em farrapos,
     permita-me desaparecer
     sem deixar bilhetes. . .
     Em que porto entreguei meu coração?
     O papel, a chuva molhou.
     Sem rumo, sem bússola.
     Cruzo a rua de pedra,
     o que sou neste caminho. . .
     Vivos mistérios. . .
     Esconderijos de pó
     ou rastros de vento?
    
     Porto Alegre, junho/2007

SÍNDROME DO PÂNICO


No silêncio da palavra
penso ouvir uma voz
desconheço a razão.
No meu laboratório central,
existe um canto escuro.
Às vezes questiono
sombra da minha própria sombra
onde o medo se esconde.
Ninguém o vê.
Dentro do meu ser,
é difícil suportar este tormento
ter um nítido riso momentâneo,
e mascarar uma dor interminável.
Tento gritar mas estou silene,
quase muda . . .
Queria em mãos pegar,
e não  encontro para dividir,
a fé no divino me sustenta.
Não posso fugir desta essência:
encontrar o imponderável,
pois o mundo
só vive de aparências